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Como posso libertar o meu filho de “rótulos”?

Quando atribuímos “rótulos” à criança, através de palavras ou atitudes, reforçamos os comportamentos rotulados e muitas vezes isso é o oposto daquilo que pretendemos.

Assim, antes de rotular a criança, posso questionar-me “De que forma gostaria que se veja a si própria?”.

É que a criança tende a ver-se a si própria na imagem em espelho que os outros lhe devolvem: da forma como é rotulada. Assim, perde a capacidade de refletir acerca do seu próprio comportamento e também oportunidade de o alterar. Passa a desempenhar o papel no qual se vê refletida, por exemplo “és tão preguiçosa”, “és muito inteligente”, “és lenta”, “és egoísta”, etc…

Para tirar os rótulos à criança, é necessário muito autocontrole e atitude proativa e consciente por parte do adulto.

Deixo-te aqui algumas sugestões para conseguires tirar os rótulos do teu filho, libertando-o assim de desempenhar papeis (e a ti de veres os comportamentos que menos gostas a aumentarem):

  • Procura oportunidades de lhe mostrar uma nova imagem de si própria. Assim, se o teu filho é frequentemente rotulado de “egoísta”, diz-lhe sempre que possas quando observas algo que não entra no rótulo (por exemplo, “obrigada por partilhares as tuas bolachas comigo” ou “parece-me que estás a fazer algo para me animares”).
  • Coloca a criança em situações onde possa ver-se a ela própria de forma diferente. Se tens uma criança com o rótulo “preguiçosa”, dá-lhe oportunidades que o contrariem (por exemplo: “por favor leva o cão à rua para ele poder fazer as suas necessidades”).
  • Deixa que o teu filho te ouça a dizer coisas positivas sobre ele. Por exemplo, se tens um filho rotulado de “medricas”, conta a outra pessoa (com quem ele se sinta à vontade), à frente dele algo que mostre como enfrentou o medo (por exemplo: “havias de o ter visto hoje. Ia levar uma injeção das que doem e estendeu logo o braço”).
  • Dá o exemplo do comportamento que gostaria de ver. Imagina que a tua criança tem o rótulo “desorganizada”. Sublinha à criança, num tom firme e afetuoso, que não aprecias a confusão que está no seu quarto e conclui com algo do género: “Já sei: vou arrumar uma parte de cada vez”. Sem sarcasmos ou ironias. E dás o exemplo.
  • Relembra o teu filho dos momentos especiais. Por exemplo, se o teu filho tem o rótulo “cobarde”, reforça “lembro-me de me teres ajudado a manter a calma quando estávamos aqui sozinhos e ouvimos um barulho. Lembras-te? Eu pensava que eram ladrões e tu lembraste-me que podia ser só o cão a arranhar a porta para ir à rua”.
  • E lembra-te que, quando a criança se comporta de acordo com o seu rótulo, tu podes expressar o que sentes e/ou as tuas expectativas, sem rotulares também. Imagina que a tua filha é uma criança com o rótulo de “mandona”. Quando a vês a dar ordens a alguém, podes expressar “não gosto dessa maneira de falar. Podes dizer isso de outra forma?”

Até aqui estive a falar-te de rótulos “negativos”, que dizem respeito a comportamentos que não queres que o teu filho tenha. Mas também pode ser um desafio para ti fazer isto quando estás perante um rótulo da criança do qual não te queres “desfazer”. Como assim?

Imagina, por exemplo, que o teu filho é uma criança “extremamente querida e doce”, e costumas dizer isso. Não deixa de ser um rótulo, ainda que “positivo”, julgas tu. A questão aqui é exatamente a mesma que se coloca para os outros rótulos, que são críticos ou depreciativos. É que a criança pode estar a sentir-se pressionada para ser assim o tempo todo, achando que não deve exprimir-se quando sente raiva, neste caso do exemplo. Assim, um rótulo “positivo” pode ter tantos efeitos negativos como um considerado “negativo”, pelo que deve sempre libertar a criança destes papéis a desempenhar.

Lembra-te que os rótulos foram feitos para as coisas, não para as pessoas. A regra de ouro é descrever em vez de avaliar. Descreve o comportamento sem rotulares o teu filho.

Vai passando por cá. Vou falar-te mais sobre este e outros assuntos que te podem interessar.

Até breve, boa semana!

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